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A Florada de Citros e as Doenças Fúngicas PDF Imprimir E-mail
Escrito por José Dagoberto De Negri   
Sáb, 23 de agosto de 2008 10:47

A Florada de Citros e as Doenças Fúngicas

 

 

Eng. Agr. José Dagoberto De Negri
Eng. Agr. MSc Carlos Ivan Aguiar

 

 

As plantas cítricas têm origem nas regiões subtropicais e tropicais do continente asiático, onde a boa quantidade de chuvas, distribuída num período bem definido é a sua principal característica, sendo portanto considerada cultura de região de monções. Trazidas ao Brasil pelos primeiros colonizadores, elas se adaptaram muito bem às nossas condições, especialmente no planalto paulista, onde o binômio clima e solo permitiu sua fixação e desenvolvimento até atingirmos o patamar de maior citricultura mundial.
Dada às suas características originais, os citros necessitam de um período de estresse, que pode ser por ausência de água, baixas temperaturas ou ambos, para poderem emitir nova brotação seguida de florescimento. Em geral isso ocorre nas nossas condições na época que a primavera se aproxima, logo após o período de inverno, onde aquelas condições são prevalecentes.
Com a florada inicia-se um novo ciclo, ocasião em que tudo se renova, desde a produção dos frutos até as expectativas de um novo ano agrícola com novos objetivos e novas esperanças de sucesso. É portanto nessa época que os primeiros cuidados de uma nova safra devem ser tomados, visando a obtenção dos melhores resultados possíveis. Sob essa ótica, algumas doenças cítricas causadas por fungos se revestem de importância fundamental, necessitando portanto de intervenções por parte dos citricultores. Listamos a seguir as principais doenças dos citros que, se não controladas, poderão influenciar significativamente na produtividade das plantas, ou mesmo na comercialização de seus frutos.

 

 

• Verrugose da laranja doce

 

 

Considerada uma das principais doenças de origem fúngica, ela está disseminada por todo o parque citrícola paulista, causando deformações na casca que depreciam o produto final, especialmente para o mercado de fruta fresca. Além disso, as lesões servem de abrigo para o ácaro da leprose, o que dificulta o controle dessa importante praga. Essas lesões são salientes, corticosas e irregulares, normalmente com 1 a 3 milímetros de diâmetro, podendo estar agrupadas e cobrir grande parte do fruto. A verrugose é uma doença de tecidos jovens, podendo atacar frutos novos de diferentes variedades de laranjas e algumas tangerinas. Raramente atacam folhas e ramos, o que a diferencia da verrugose da laranja azeda, específica dela e de limões verdadeiros, rugoso, Cravo, pomelos, tangores e algumas tangerinas.
Para causar infecção são necessários períodos de molhamento devido à chuva, orvalho ou irrigação por aspersão, de apenas 3 horas a uma temperatura entre 21 e 27ºC, estando os frutos susceptíveis até cerca de 3 meses de idade.
A época mais indicada de controle é durante a florada principal, quando 2/3 das pétalas estiverem no chão, embranquecendo-o. Uma segunda aplicação é recomendável para variedades muito susceptíveis como laranja Pêra, tangor Murcott ou limão verdadeiro, especialmente sob período chuvoso. Esta aplicação deve ser feita 4 a 6 semanas após a primeira. Os produtos recomendados para esse controle são fungicidas à base de cobre e benzimidazóis.


• Melanose

 

 

Doença nem sempre considerada importante pela maioria dos citricultores, a melanose ataca a parte externa dos frutos, depreciando-o para o mercado de fruta fresca e comprometendo sua comercialização. Ela ataca frutos novos, além de folhas e ramos, causando pequenas lesões arredondadas, menores que 1 milímetro de diâmetro, salientes ao tato e de coloração escura, facilmente visíveis nos frutos por ocasião da maturação.
As manchas de melanose em órgãos verdes da planta não produzem esporos. Já os galhos mortos contém frutificações do fungo, que são responsáveis pelo inicio de nova infecção. Os frutos estão mais susceptíveis durante os 3 primeiros meses de seu desenvolvimento. A infecção é favorecida por períodos de molhamento de pelo menos 10 a 12 horas, com temperaturas em torno de 25ºC.
Dentre as medidas de controle, a eliminação de galhos secos pode ser considerada uma das principais tarefas para a prevenção da doença. As medidas de controle químico só são recomendadas para variedades mais susceptíveis (limões verdadeiros, pomelos e algumas laranjas, como a Baianinha), e quando o destino da produção seja o mercado de frutos in natura. O controle da melanose pode ser feito em função do controle da verrugose, uma vez que os produtos cúpricos utilizados são eficientes para ambas as doenças. No caso de controle específico, utilizar os produtos à base de cobre.

 

 

• Podridão floral dos citros

 

 

Essa doença, também conhecida por queda prematura de frutos, vem afetando os pomares do Estado de São Paulo desde os meados da década de 70, quando houve um grande surto causando enormes prejuízos aos citricultores das regiões de Limeira e Araraquara. Desde então, ela se disseminou por todo o estado, sempre derrubando a produtividade de determinadas áreas, dependendo diretamente das condições climáticas durante o florescimento.
O fungo ataca as flores desde o estágio de "cotonete", cujas pétalas apresentam lesões necróticas de cor alaranjada ou tijolo, que apodrecem e impedem o desenvolvimento dos frutinhos. Estes caem ainda muito novos, de maneira prematura, deixando retidos na planta os cálices, o que dá à doença o nome popular de "estrelinha". A temperatura ideal para o crescimento dos micélios do fungo varia entre 23 e 27ºC. Períodos prolongados de chuvas, seguidos de dias encobertos na época da florada são os fatores de maior relevância dessa doença. Ataca todas as variedades cítricas, e em lima ácida Tahiti, limões verdadeiros e laranja Pêra, caso as condições ambientais continuem favoráveis ao fungo, o ataque na segunda florada é também muito grande.
Os tratamentos utilizados para o controle da doença não tem sido satisfatório, principalmente em virtude da dificuldade em se obter uma boa pulverização em condições tão adversas (chuvas prolongadas, ventos fortes e alta temperatura). Medidas que visem obter floradas fora dessas condições são recomendadas, como antecipação de florescimento com irrigação ou uso de porta-enxertos indutores de florescimento precoce, bem como uso de quebra-ventos e substituição de variedades de florescimento contínuo. O controle químico com fungicidas dos grupos benzimidazóis, triazóis, cúpricos ou dicarboximidas pode ser feito, porém com resultados incertos.

 

 

• Mancha preta dos citros

 

 

Doença que ataca principalmente os frutos, tornando-os inaceitáveis para o comercio de fruta fresca. Pode atacar também as folhas e ramos, onde causa uma pequena mancha necrótica de cor cinza-escuro, com halo claro. Todavia são nos frutos que os sintomas são mais visíveis, causando manchas necróticas deprimidas, com bordas pretas e centro mais claro, variando de tamanho desde pequeninas pintas escuras até lesões de 1 centímetro de diâmetro. A variabilidade de sintomas nessa doença é muito grande, principalmente em função do tamanho do fruto, condição climática ou tipo do esporo responsável pela infecção. Atualmente os sintomas podem ser classificados em 6 tipos: pinta preta, mancha sardenta, mancha virulenta, falsa melanose, mancha rendilhada e mancha trincada.
O fungo afeta todas as variedades de citros, exceto a lima ácida Tahiti. Existem algumas variedades com maior susceptibilidade como é o caso dos limões verdadeiros Siciliano e Eureca, pomelos e a tangerina Mexerica do rio. As condições climáticas mais favoráveis à doença fazem com que as variedades mais tardias (laranjas Pêra, Natal, Valência e, Folha Murcha) também apresentem alta susceptibilidade, com os frutos bastante danificados. Quando as lesões se situam próximas ao pedúnculo, pode ocorrer queda prematura e abundante de frutos, afetando duramente a produtividade das plantas afetadas.
O controle da mancha preta dos citros recomendado passa pela prevenção, utilização de práticas culturais e até controle químico com uso de fungicidas. Uma das medidas culturais de alto alcance é a aceleração da decomposição das folhas caídas ao solo, utilizando diversas técnicas, visto ser essa uma das maiores fontes de inoculação da doença em infecções futuras. O uso de fungicidas sistêmicos, à base de benzimidazóis ou estrobilurinas, combinados com protetores, como cúpricos ou ditiocarbamatos, associados ao óleo, tem dado bons resultados no controle da mancha preta dos citros.
Como atualmente os custos de produção de citros são considerados altos e o controle fitossanitário é responsável por grande parcela desse custo, a presença de um profissional capacitado para orientar corretamente tais operações se reveste de vital importância, auxiliando o citricultor a minimizar os riscos de contaminação ambiental e a maximizar os lucros a serem auferidos.


 

 

 

 

 

 

 

 

Última atualização ( Qua, 19 de maio de 2010 09:16 )
 
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