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Procedimentos Técnico-Operacionais PDF Imprimir E-mail
Escrito por Redação GTACC   
Dom, 07 de setembro de 2008 14:32

Procedimentos Técnico-Operacionais para aplicação de Defensivos Agrícolas


Dando seqüência ao artigo publicado na última edição, estaremos discorrendo sobre os princípios básicos e procedimentos operacionais para que se possa efetuar uma correta calibragem das máquinas, bem como sobre problemas operacionais diversos com turbo-pulverizadores e ainda alguns fatores que influem na qualidade da aplicação, tais como mistura de produtos e pH da calda.

1.3 - Princípios básicos operacionais

São os seguintes os pontos básicos fundamentais para que as pulverizações efetuadas com pistola e turbo-pulverizadores resultem em melhor eficiência, a custo menor:

1.3.1 - Pistolas de pulverização

Na pulverização de plantas pequenas ou de pequeno porte, onde há uma baixa densidade foliar, é recomendado o uso de pistolas de pulverização, já que o uso de turbo-pulverizadores resultaria em grande perda de produtos, devido ao grande intervalo existente entre as plantas. Porém, à medida que as plantas vão se desenvolvendo e ocupando os espaços vazios, deve se trocar o uso de pistolas pelos turbo-pulverizadores, uma vez que o uso desses equipamentos induzem e ocasionam menos erros, decorrentes de movimentação e deslocamento dos mesmos, devido a uma maior regularidade, ao contrário do que se obtém com as aplicações efetuadas com pistolas, onde o elemento humano entra como fator multiplicador das deficiências e inadequações de seu uso. Considera-se a viabilidade do uso de turbo-pulverizadores a partir do 3º ano de idade do pomar, dependendo do seu desenvolvimento vegetativo.

Operação correta com pistolas de pulverização

O uso de pistolas de pulverização necessita que o operador tenha um conhecimento prévio de sua movimentação, caminhamento e ajuste, para que o resultado obtido possa ser o melhor possível. Este conhecimento se resume aos seguintes aspectos:
- movimentação do operador em relação ao Alvo
- deslocamento em relação à planta.
A movimentação do operador em relação ao alvo deverá ser efetuada a uma velocidade constante e adequada ao tipo, dimensões e altura da copa, ao mesmo tempo em que se desloque numa trajetória possível à uma deposição uniforme das gotas sobre o alvo. Aplicações onde o operador se situa em cima de uma plataforma montada sobre o próprio equipamento, apesar de ser mais cômoda, têm se mostrado ineficiente e irregular, pela ocorrência mais freqüente de focos de reinfestação nos locais mal aplicados ou não atingidos pelo jato de pulverização. Por outro lado, o caminhamento do operador induz a um maior cansaço ao final do dia, que pode da mesma forma comprometer a qualidade da aplicação. Por esta razão, é aceitável o uso de uma plataforma mais larga que o próprio equipamento, que coloque o operador mais próximo do alvo, permitindo uma melhor cobertura da planta, desde que a velocidade de deslocamento e movimentação do equipamento estejam adequadas à realização da operação e desde que o porte das plantas seja realmente pequeno, podendo ser completamente coberto, mesmo com uma aplicação a uma distância um pouco mais longa. As recomendações operacionais completas são as seguintes:

a) Deve-se iniciar a aplicação por um das extremidades da copa da planta, cuidando de introduzir o jato dentro da copa, se for planta adulta, com movimentos verticais e horizontais, para efetuar uma cobertura interna, por completo.
b) Após o procedimento anterior, ou se as plantas são de pequeno porte, o operador se deslocará ao redor da copa, oscilando a pistola em movimentos, que podem ser de baixo para cima e de cima para baixo, desde que o operador cuide de fazer uma faixa de reposição a cada passada, uma vez que seu deslocamento linear pode ocasionar áreas de pouca densidade de gotas, ou ainda movimentos circulares, que facilitam a penetração das gotas dentro da copa e na face posterior das folhas, mas que têm o inconveniente de serem mais cansativos, podendo trazer um maior desgaste ao operador, antes do final do dia.
c) Após completar o semicírculo de aplicação ao redor da planta, introduzir novamente o jato, ao final da operação, conforme descrito no item a, quando se tratar de planta adulta.
d) Os procedimentos descritos em a, b, e c deverão ser repetidos nas plantas seguintes e na outra metade da copa, quando do retorno na rua seguinte, completando-se assim o processo.
Para que haja uma melhor geração de gotas pelo bico, é recomendável que o operador esteja posicionado a uma distância mínima da planta, executando-se a operação de maneira que haja um espaço não inferior a 1 metro entre o bico da pistola e a planta, de forma que as gotas geradas possam ganhar uma certa turbulência e favorecer sua penetração no interior da planta. Pulverização com uso de atomizador.

1.3.2 - Turbo-pulverizadores

Estes equipamentos constituem-se basicamente de um sistema de ventilação própria, que podem ser acionados tanto pela tomada de força do trator (TDF), como por motor auxiliar, ambos através de um eixo cardam, que faz a transmissão do movimento até a turbina. A função principal do ventilador é gerar um grande volume de ar, o qual ao ser direcionado para uma árvore, permita que o ar retido pela copa e folhas, seja arrastado e substituído por aquele gerado pelo equipamento, saturado por uma população bastante densa de gotas, com o defensivo, permitindo a sua deposição nas folhas, frutos e órgãos internos da planta. Copas de árvores muito densas podem prejudicar a penetração e deslocamento de ar e da nuvem de pulverização, pelo efeito "barreira", sendo que com o uso de equipamentos dotados de motor auxiliar e que possuem sistema de turbilhonamento do fluxo de ar gerado, este efeito pode ser minimizado. Este efeito é ainda mais agravado quando há frutos nas plantas que, devido a sua quantidade e peso, causam um obstáculo ainda maior ocasionando uma pior deposição do produto, se não houver o correto ajuste das gotas. Por esta razão, devese salientar que a distância entre os bicos de pulverização e a saída do fluxo de ar até as plantas é muito importante para que se consiga obter a substituição do volume de ar existente dentro da copa por outro que esteja saturado pelo defensivo.

Operação correta com turbo-pulverizador

 

A operação correta com turbo-pulverizadores é função direta dos seguintes fatores:
- velocidade de deslocamento;
- pressão de trabalho;
- volume de aplicação;
- número e disposição de bicos na barra de pulverização;
- condições climáticas durante a aplicação.

a) Velocidade de deslocamento

Este é um dos parâmetros que mais ocasiona maus resultados nas aplicações. Normalmente tende-se a trabalhar com velocidades diferentes das recomendadas, a fim de se obter melhores rendimentos operacionais, o que pode ocasionar duas situações distintas:
- operação a baixa velocidade
- 1 a 3 km/ hora;
- baixo rendimento operacional;
- volume de aplicação em excesso;
- escorrimento e baixa penetração da calda no interior da planta;
- gasto excessivo de produtos.
- operação com velocidade mais alta
– acima de 4,5 km/hora.
- pouco tempo para que o ar saturado com produto penetre na planta;
- sub-dose do produto aplicado;
- baixo ou nenhum controle da praga ou doença;
- necessidade de reaplicações.
Para que os fatores acima descritos não influenciem o resultado da aplicação é necessário e essencial que o equipamento opere com velocidade de deslocamento entre 3,0 e 4,5 km/hora, de acordo com o volume de ar produzido e a densidade da planta a ser tratada. Esta velocidade permitiria se obter uma boa penetração, evidentemente se complementada com o ajuste correto em número de bicos e o ajuste correto da pressão de trabalho. Portanto, para cada tipo de copa, porte ou altura da planta, deve-se definir e ajustar corretamente a velocidade, sempre em função da qualidade de deposição das gotas e não apenas em função da produtividade do equipamento.

b) Pressão de trabalho

O uso de bicos de jato cônico vazio com pressões muito altas, ocasiona um espectro de gotas não homogêneo. Por outro lado, pressões muito baixas irão gerar gotas muito grossas e pesadas, não conseguindo serem transportadas adequadamente pelas correntes de ar. Por esta razão, recomendase trabalhar com o equipamento ajustado na pressão de 120 a 200 libras/pol2 ou 8 a 13 bars. O procedimento normalmente usado de se alterar o volume de calda através da variação da pressão, devido ao fato de alterar completamente o espectro de gotas, resulta em grandes perdas, tanto por evaporação das gotas finas, quando a pressão fica acima do recomendado, como pelo escorrimento de calda sobre as folhas, quando a pressão fica abaixo do recomendado. Além disto, o uso de pressões muito altas, associada ao efeito abrasivo de alguns produtos, acelera o processo de desgaste e deteriora rapidamente os bicos, alterando significativamente o padrão de espectro e distribuição de gotas, bem como o volume de calda aplicado. Outro fator a ser considerado é que quando se aumenta demasiadamente a pressão de trabalho, ocorre a ionização das gotas, que passam a ter carga elétrica negativa, igual à carga elétrica das plantas, o que poderá fazer com que a copa venha a repelir a nuvem de pulverização, desviando-a do alvo pretendido.

c) Volume de pulverização

A conceituação, errada, de que o uso de altos volumes de aplicação, com escorrimento dos produtos sobre as folhas é indicativo de um bom padrão de pulverização, deve ser deixada de lado. A recomendação correta do volume a ser utilizado está no conhecimento e avaliação da própria lavoura, da densidade das plantas, espaçamentos, das pragas e/ou doenças a serem controladas e das condições climáticas existentes. Além disto, trabalhos realizados pelo CEA / IAC, em parceria com o Fundecitrus, utilizando conhecimentos desenvolvidos na área de Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários (TAPF) na distribuição do ar da turbina, da calda e da adequação do tamanho de gotas, mostram, por exemplo, que não há uma relação direta entre o volume de calda aplicado e o controle do ácaro da Leprose, indicando que a tendência atual de redução dos volumes de calda está se tornando uma alternativa bastante viável e muito interessante. O volume de aplicação pode ser determinado de acordo com a altura da planta e o diâmetro da copa, através da seguinte fórmula: V.A. = 3,14 x (diâm)2 / 4 porém, a recomendação de 2,5 L a 3,5 L de calda por metro de altura da planta, ou ainda a recomendação de 0,5 L a 0,8 L por m2 de copa, constituem-se em bons indicativos práticos para uma boa cobertura e penetração, mas sempre ressaltando que para cada caso específico deve haver uma recomendação diferenciada, devendo inclusive ser o volume adequado em função do modelo e regulagem do pulverizador utilizado.

d) Número e disposição dos bicos de pulverização

O número e disposição de bicos tem muito a ver com as plantas, seu porte, densidade foliar, estatura e os espaçamentos utilizados. Estes fatores causam bastante dificuldades na determinação do equipamento a ser utilizado e na aplicação. Deve-se transformar o volume a ser aplicado em um maior número possível de gotas finas, para que se obtenha a mais alta densidade, penetração e deposição dos mesmas. Isto é obtido com o uso de bicos com orifícios adequados à vazão, com difusores de um ou dois furos que resultem sempre em jato cônico vazio e a correta distribuição dos bicos na barra de pulverização. Portanto, ao se estabelecer o volume de calda necessária, bem como a velocidade ideal, deve-se adequar a quantidade de bicos para que atenda àquele volume, naquela velocidade de trabalho. Quanto à disposição dos bicos, recomenda- se a seguinte ordem:

- bicos superiores - são aqueles direcionados para atingirem o topo das plantas e devem estar posicionados em ângulos que variam de 0º a 15º de inclinação até ângulos de 30º a 40º de inclinação, sendo responsáveis pela cobertura de 0 a 15% da área foliar. –

bicos centrais - são os responsáveis, de maneira geral, pela maior quantidade de gotas geradas e que irão atingir a maior quantidade das folhas situadas na parte central ou mediana da planta, devendo estarem posicionados em ângulos que variam de 30º a 40º de inclinação até ângulos de 60º a 70º de inclinação, sendo responsáveis pela cobertura de 60 a 70% da área foliar.

- bicos inferiores - são direcionados à base das plantas e devem estar posicionados em ângulos que variam de 60º a 70º de inclinação até ângulos de 110º de inclinação, sendo responsáveis pela cobertura de 20 a 25% da área foliar. Nas plantas baixas, pode-se direcionar os bicos superiores para baixo, acompanhando os ângulos dos bicos centrais, ou mesmo isolá-los, deixando-os sem uso. O mesmo pode ocorrer com os bicos inferiores.

e) Condições climáticas durante a aplicação

O fator climático mais importante a ser considerado é a umidade relativa do ar, já que a gota ao perder água por evaporação, terá também reduzido seu peso, aumentando sua deriva ou desvio da trajetória inicial, inclusive devido à influência do vento que entrará como fator agravante. Portanto, as recomendações quanto às condições climáticas limites para se interromper uma pulverização são as seguintes:

- umidade relativa do ar
- mínimo de 55%
- velocidade do vento
- acima de 10 km/hora ou 3 m/s
- temperatura ambiente
- acima de 35º 2.

 

Problemas operacionais com turbo pulverizadores

 

Existem aspectos operacionais negativos em relação à direção e intensidade dos ventos, quando trabalhando com turbopulverizadores, como a seguir discriminados:

- Ventos contra ou a favor do deslocamento da máquina –

Os turbos geram sua própria corrente de ar, porém isto não facilitará uma boa deposição em condições de ventos intensos, multidirecionais ou mesmo em rajadas, que poderão influir diretamente na pulverização, facilitando ou prejudicando a deposição de gotas. Ventos com direção no mesmo sentido de deslocamento, contra ou a favor, irão atuar sobre a cortina de gotas, distorcendo-a ou alterando sua trajetória ideal. Neste caso, o melhor que se tem a fazer é interromper a aplicação.

- Ventos laterais –

Em aplicações onde o vento se situa lateralmente à maquina, é recomendável que o conjunto pulverizador se desloque mais próximo do lado da árvore oposto à direção do vento. Agindo assim, está se favorecendo o deslocamento das gotas, que estarão sendo projetadas na mesma direção do vento, aumentando-se a sua velocidade de deslocamento, facilitando a sua penetração na copa.

3. Outros fatores que atuam na qualidade da aplicação

 

3.1 - Misturas de produtos

 

Como se sabe, as misturas de produtos são bastante utilizadas, aproveitando a mesma operação para fazer diversos tipos de tratamentos, porém as mesmas devem ser realizadas com cautela, pois as misturas podem proporcionar efeitos sinérgicos, inibidores ou antagônicos, o que pode influir na qualidade da aplicação. Há um efeito sinérgico quando a adição de um produto aumenta a ação ou eficiência de outro, mas há o efeito antagônico quando a adição de um produto reduz o efeito de outro ou ainda causa toxicidade às plantas, como no caso da mistura de óleos minerais com enxofre. Além disto, é importante verificar a seqüência de diluição de produtos na calda de aplicação, pois a não observação desta seqüência pode alterar ou prejudicar a solubilidade dos produtos. Para se diminuir estes efeitos, deve-se obedecer à seguinte ordem:

1º - Pós molháveis (fazer pré-mistura antes de colocar no tanque)
2º - Suspensões concentradas.
3º - Pós solúveis.
4º - Suspensões aquosas.
5º - Soluções.
6º - Concentrados emulsionáveis.
7º - Óleos.

3.2 - Correção do pH da água

O pH da água tem uma forte influência na eficiência dos produtos, pois provoca a hidrólise alcalina alterando a mistura da calda seja por quebra de emulsão, má dispersão do produto, maior deposição no fundo do tanque ou estratificação. O Ph é constantemente alterado, por vários fatores, sendo o principal deles a temperatura. É necessário que se conheça o pH da água de pulverização, de todas as fontes disponíveis e é importante que se conheça também o Ph dos produtos a serem utilizados, pois caso pH de algum dos produtos seja diferente do pH da água, será necessário que se faça a correção do pH da água, antes da mistura do produto a fim de se evitar que ocorra a hidrólise alcalina e conseqüente redução na meia vida do produto.

 

Última atualização ( Qua, 05 de maio de 2010 10:42 )
 
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